Fraternidade na Campanha e Irmandade no OPA: minha ressonância 2055
Olá, amigos, irmãos, antigos e novos opistas!
Chegamos então a 2055…
Aos 88 anos, participo por Holo-Conferência do 75º OPA Nacional,
bodas de diamante no casamento de Oração e Arte!
Ângela, Nelsinho, Luisinho, Lisane e Tarobinha também estão por aí.
Ângela completando seu centenário, segue linda como Magali
e firme que nem a Monica, cuidando de todos nós.
Nelsinho, cantando e gravando as músicas do eterno Irala
e fazendo malabarismos para manutenção da Aopa.
Luisinho, sempre jovem e com o mesmo penteado há 80 anos, mantém viva a memória, o acervo do OPA e lembra de cada detalhe, canções e apresentações de todos os Encontros da História Opista.
Recebeu Nobel da Memória junto com Marilu!
Lisane ainda mora em Brasília. Semana passada visitou a praia 1637 de sua vasta experiência turística! Continua cantando nos corais federais e cuidando de sua linda família.
Tarobinha acaba de lançar sua milésima canção feita em OPAs, seu 34o álbum de carnaval baiano raiz, sua 12a exposição de arte sacra e profana em parceria com a UFBA e seu 45o livro, intitulado: A quem pertencem os Direitos Autorais dos Conflitos (Des)Humanos.
E sobre isso gostaria de falar. Já estou muito velho de idade biológica. Antes de eu morrer, tomava 2 injeções por mês, para evitar os anteriores 112 comprimidos diários, antes da descoberta da síntese farmacêutica, e lembro algumas coisas. Vocês lembram das camisas amarelas e vermelhas? Estão aqui surradas no meu varal, mas gosto de mantê-las na coleção de ícones da sociedade brasileira dos anos 10 e 20 do século 21. Assim como nos tempos em que éramos “heróis de calça lee”.
Polarizamos sobre os defeitos que enxergamos em nossa imagem. Os mais jovens aí no Encontro talvez não saibam, mas houve um tempo aqui no planeta que tínhamos apenas inteligência cerebral (como conseguíamos viver sem a IA 20.0, o 35G e a onipresença holográfica?). As Redes Sociais (ou antissociais?) eram usadas em pequenos aparelhos de 7 polegadas que passavam 24 horas nas mãos dos seres humanos. O IPhone, por exemplo, era de uma empresa no extinto estado da Califórnia, antigo Estados Unidos, chamada Apple. Sim, precisávamos digitar em ridículos e minúsculos teclados com autocorreção constrangedora, diárias agressões e posicionamentos sobre todos os temas, especialmente direcionados a quem era contrário ao que pensávamos. Éramos especialistas em nada, mas opinávamos sobre tudo, sobretudo para criticar.
O celular também tinha um atributo de voz, chamado na época de telefone, mas ninguém usava. Achávamos muito melhor nos relacionar por texto, memes (perguntem ao seu Personal Assistente Virtual) e usávamos uma gíria chamada lacração.
A disputa era para ocupar espaço na própria bolha, não convencer ninguém a mudar de opinião, ganhar likes (um dedinho polegar para cima assim ó 👍) e monetizar
(na época em que ainda existiam bancos, cartões de plástico e dinheiro físico).
Compomos e vivemos em 2024 “na cidade das três caravelas”, “o outro é quem nos dá o sentido da vida”, “Deus artista, Deus artesão”, “vamos viver a unidade na diversidade”, “a teimosia contra a injustiça estrutural”, “uma nação de flores”, “a etimologia de doar”, “a descoberta dos significados das palavras”, “as caixas cheias de nada e completas por tudo de bom”, o rap multiarte do opinha”, “as canções a la reina Maria”, “as reflexões jesuítas e inacianas”, “todas as vozes tendo vez”
e muitas mais que minha memória certamente me traiu (não sou o Luisinho....).
Bom, de toda essa época, o que restou?
A busca pela longevidade?
Os valores da psicologia positiva?
A fé e a arte?
A fé e a arte certamente sobreviveram!
Redes sociais viraram amizades sociais depois da redescoberta que dialogar e visitar as pessoas era bom, há uns 15 anos. Não paramos nunca mais de fazer encontros.
Grande evolução humana e renascimento do OPA raiz!
A unidade divisionista das ideias foi substituída pela pluralidade universal do convívio em diversidade, após a nomeação do Lider Mundial Sincretista David Francisco Mohamed, em 2045. Primeiro Budista Candomblecista Católico Espírita Evangélico Judeu Muçulmano Protestante da história, nascido na Palestina, de pai israelense e mãe nigeriana, avós chineses, brasileiros, alemães e indianos, criado no Pelourinho (fez OPA em Salvador em 2033!), que finalmente conseguiu consolidar o amor e o respeito como mandamentos universais para todas as religiões.
A Polarização política entre Direita e Esquerda agora só sobrevive nos livros de história e compêndios legais. Em detrimento à polarização, adotamos a bússola da polinização, inventada pelas abelhas, e que segue trazendo mel e flores para todas as direções e posições,
seja sul, norte, leste ou oeste, no sabor dos ventos, como “o rio segue em zigue e zague na floresta e quando chegam a bicharada e toda gente, fica contente!”
A cura do câncer chegou junto com o fim da dengue, chicungunha (nunca aprendi o nome dessa doença) e a zika. O tal Aedes Egypt cruzado com o Besouro Barbeiro e com as abelhas africanas, inoculado com o vírus da COVID, gerou um poderoso antídoto para qualquer tumor. Olha que maravilha é a ciência; de quase exterminadores a salvadores da humanidade pelo olhar curioso, intuição e trabalho de cinco mulheres cientistas (uma asiática, uma africana, uma oceânica, uma europeia e uma latino-americana), que acreditaram na força da natureza e tiveram fé nas próprias convicções. “Crê que a manhã habita em ti, com o azul irá sorrir e canta Deus”.
O distante virou próximo com a descoberta do abraço holográfico, do beijo 7D e da compaixão genuína, em contraponto à artificialidade das fronteiras, que já não existem mais; agora somos todos CriptoHumanos, eternos em um carismático algoritmo, cuja senha só Deus sabe. Navegamos através das redes, acordamos e dormimos onde cabem nossos sonhos. Nosso limite é a curiosidade. Eu mesmo morri biologicamente há 3 anos, mas sigo aqui falando com vocês. Digo que “valeu a pena e apesar de tudo a nossa canção ficou”.
Não há mais discussões sobre terra plana nem redonda,
há um planeta azul em um universo infinito de possibilidades e dimensões;
“não há mais fronteiras nem muros pra separar o Menino e sua estrela a nos guiar”.
Não há mais posição nem oposição, há somente disposição em ouvir e ser ouvido.
“Pra tudo há um tempo, cada coisa um momento.”
Há obras que parecem terem sido compostas ontem, posto que são eternas e benditas como as poesias de Renata Vilela, os desenhos de Grecco, a arte de Irmã Juliana, as fotografias de Oscar, as cenas e performances de Claudinha, a dança de Dina, o rock de Joel, a musicalidade de Lula, a emocionante e genial simplicidade da família Beltrão, a fé inabalável de Rodrigo Naves e todos de Varginha; “tanto, tanto, quanto tempo faz, tanta gente só queria um pedacinho de paz. Tinas, Paulos que saudades de vocês…Nelsons, Martas, quando vão voltar por aqui? Cris, Rodrigos, Anas, Rosas e Marlis, voltem já”.
“Bendito o canto de Irala!”
Lupes, Marcelles. Chokitos, Nizans, Culturas, PCs , Ribeiros, Colgates, Parafusos, Marias, Celias, Pára-brisas, Geraldinhos, Digões, Elisas, Beás e tantos mais, sempre em sintonia.
Afinal, “se todos nós somos um, cada um de nós se faz raio da mesma luz.”
Fui reler outro dia o ideário do OPA (escrito em 1976) que fala sobre criação, comunicação e integração
e o lançamento da campanha da fraternidade de 2024,
que na época falava sobre sermos todos irmãs e irmãos, num mundo de divisões, polarizações, conflitos e despertar convívio, respeito, amizade social e paz entre todos os povos.
Ousados e vanguardistas ambos os documentos. Já na sua época, precursores das razões e emoções pelas quais a humanidade sobrevive e prossegue até hoje.
Vocês viram o tema da campanha da fraternidade de 2055? Sim, desse ano!
“Robóticos e Humanoides com Cérebros Conectados: uma Experiência Transcendental de Sincretismo Universal”. Acho que diz muito sobre nossas escolhas, transformações e transições.
Que não percamos a ternura das canções que nos inspiram, das orações que nos confortam e do amor que cresce e multiplica.
Ser OPA é ser o fraterno da Campanha.
Melhor utopia é a fé. Vence a distopia do mundo e dos líderes que se julgam donos das razões.
Mas nunca serão donos das emoções que nos fazem humanos e irmãos , imagem e semelhança, santos e pecadores, fiéis e céticos, fortes e frágeis, únicos e universais.
Viva o propósito de ser em cada lar, rua, bairro, cidade; em cada afeto, uma pessoa que enxerga o outro, sem ter o espelho ditando as críticas e a moral, mas fazendo do olhar, brilho; do toque, aceitação; da voz, melodia; do silêncio, respeito.
“Que sejamos nós os responsáveis pela nossa paz. Tudo de bom é o que desejo a todos nós.
Que eu, tu, ele, nós, vós, eles tenham o pé no chão.
E que eu ouça o tempo todo a sua voz. Que o teu amor seja em mim minha paixão”. Amém.
Já vou indo, espalhando a esperança no futuro, revivendo o presente e decifrando o passado.
Somos os frutos das sementes que todos plantaram, alguns cultivaram e poucos colheram.
E você, onde estará em 2055?
Viajando, fazendo arte, rezando pela paz, polarizando, polinizando, amando, qual será a sua escolha?
Gente Boa, mantenha essa luz brilhando.
Preciso voltar para meu blockchain e colocar meu chip no sol para recarregar.
Beijo.