37º OPA NACIONAL
Domingo. Último dia. A missa de encerramento foi celebrada às 11h e o Encontro foi dado como encerrado com o almoço. Não temos tempo para mais nada.
Só que não!
Ainda tivemos tempo para um plenário recheado. Irmão Epifânio apresentou sua poesia, demonstrando como se sentiu acolhido durante o Nacional. Nossos amigos de Goiânia se mostraram bem animados a levar o OPA para sua cidade. Nana Azeredo e Clarinha Bernardes fizeram sua oração de despedida a partir das famílias presentes, unindo todos ao som de SÊ UM e texto de Duda Azeredo ao final (veja vídeo abaixo). Dinho (quem mais seria?) e o Opinha mostraram a sua criação coletiva, a música em que ele reclama: SOU CRIANÇA SIM (vídeo abaixo). Rita Della Rocca, fez um trabalho de artes plásticas, um Coração e sua oração em texto, muito profundo, "A dualidade primeira dividida... e o verbo se faz coração". Foi apresentado também o vídeo feito durante o OPA regional de Salvador, em 2013 em homenagem a Maria Célia, dizendo do carinho e saudades de todos, pois ela, doente, não tem conseguido mais ir aos encontros. Ainda deu tempo de mostrar o vídeo que Geraldo Cintra montou com fotos produzidas durante o Encontro ao som de SALVE A NATUREZA HUMANA (vídeo abaixo), encomendado por Irala ao grupo de fotografia logo nos primeiros dias. Aliás, com raras e justificadas exceções, todas as imagens utilizadas durante o Encontro foram inéditas, criadas nesse Nacional.
O ponto alto foi a apresentação da versão preliminar do Auto das Quatro Estações, mais uma obra das diversas artes integradas, a partir de discussão liderada por Robertinho e Thiago Lucas. Com base na parábola do filho pródigo, o Auto discute o perdão, relacionando-o com as quatro estações do ano. Lindo trabalho de música, dança, texto e imagem, que ainda vai dar muito que falar (Vídeo abaixo).
Durante a missa de encerramento, com toda sua carga de emoção, as crianças levaram ramalhetes de rosas de papel para o celebrante, que, emocionado, as deixou junto ao altar e posteriormente as restituiu com sua bênção. Na ação de graças os rapazes também reapresentaram sua oração partilhada na noite anterior. Mesmo sem a surpresa e o escuro, o impacto ainda foi muito grande.
Almoço e, agora sim, as despedidas. Agora cada um volta para o seu cotidiano e vamos absorver aos poucos toda essa energia, durante um ano.
E A GENTE OPA SE ENCONTRA EM BRASÍLIA 2017.
Até lá. E que Deus seja tudo em todos.
AUTO DAS QUATRO ESTACÕES DO PERDÃO
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INVERNO É noite, pesa uma montanha em meus ombros Cavei, caverna, um túmulo, meu próprio breu Escureceu, a luz se foi para sempre, fatal As dores, as vozes, lembranças de um mundo antigo Que foi, que precisa ir, uma montanha de remorsos De sonhos que vão minguando, ou já se foram E relações, e projetos, e desejos, e viagens, e caminhos Choveu, esfriou, inundou, alagou, infiltrou, encheu Lama, o começo de tudo, ou o fim, que fim O princípio de tudo volta pra fazer morrer Pra fazer nascer, se tinha que dar errado, deu Danou-se, já era, partiu, morreu mais uma vez E era preciso morrer, e aceitar o futuro, não vê Aceitar a passagem, afiar a faca, alinhar a meta Inconscientemente na cruz, sereno, sem pressa Premissa, promessa, o princípio de tudo Conscientemente nu, exposto, entregue Já se perdeu o perdido, já se rompeu o partido Uma luz no fim do túnel, agora, um brilho Tentei, não deu, provei, errei, feriu, doeu, já foi Agora ficou o aprendido, talvez, se foi entendido Memória, gravada, latente, presente, leve Curando, vencendo, tá tudo enterrado, Faltou cuidado, bem sei, ficou, e vamos pra frente Féretro, o princípio de tudo, ou não, passou
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PRIMAVERA Passou. Saí. Ver o que sobrou, o resto Vazei, esgotei, usei até o final, esvaziou A divisão não exata das parcelas, o resto Um novo começo. Estrada, abri outra conta Pra fazer um dobrado, crescer, multiplicar Um mundo, possíveis, sequer esperados E livres, e novos, e sempre brotando Olhando de novo, os cacos, o resto Dormir ao relento, ainda, passando Resfriado e sereno, brisa, passando, Preparando a subida, a trilha, a via A circulação dos sentidos, sementes Preparando o futuro, trabalho, sementes Terrenos e planos latentes, as frentes Anseios, ancinhos e sonhos, virando. Mexer, cutucar, tonificar, sorver Adoçar, salgar, saturar, verter Saborear, cuidar, regar, prover Fecundar, gerar, nascer, desenvolver Aceitar, conhecer, deslanchar, surpreender Perdoar-se, abrir-se, permitir-se, assumir-se Humanizar-se, perder-se, dimensionar-se. Salvo.
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VERAO Sombra. O meio do dia queimando. Trégua. O meio da vida ardendo. Forja. Martelo batendo no ferro. Pedra. Marcado pra sempre na fronte. Flama. Sinal de batalhas passadas. Poros. Suor escorrendo no corpo. Fera. O fogo ardendo por dentro. Corro até os extremos dos quatro pontos cardeais Saltando por todas as fendas da terra sob meus pés Feito uma onça no sertão que jamais acaba Inebriado do sentido de uma vida nova nas veias Que me acende o desejo de avançar e expurgar lembranças E ao mesmo tempo explorar as possibilidades do novo Liberto. O pólem da flor da maçã. Incerto. Ciente dos riscos do mar. Aberto. Disposto a lutar pela alma. Prudente. Capaz de parar quando devo. Humilde. Mestre em ser aprendiz. Maduro. No passo sem pressa da vida.
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OUTONO É tarde. A montanha inteira sob meus pés marcados Sou fruto dos frutos que nos foram dados, verdade Uma liberdade crescendo por dentro e em torno Um ato de coragem e frágil, pequeno, um fruto No alto da montanha e pleno, as cores transformando-se, rubro O sangue nas veias, a vida, o mundo nascendo de novo O princípio de tudo, perdão fluindo de dentro, do meio, do alto Água. A fonte brotando da pedra. Batismo. O peito aberto na cruz, passagem para um outro ciclo Envolto numa dimensão maior do todo, do ser O que foi criado e o que vem, o futuro, a liberdade de Deus Pra surpreender o que é, os inesperados da vida As folhas caindo na terra, os frutos, as flores virando presente Promessas. Perdão cultivado na vida. O fruto. E a volta ao começo. A tênue linha do equilíbrio. A fraqueza da carne, o barro das origens A busca incessante de leveza, de aprender dos tropeços E aceitar-se filho, pródigo, herdeiro do Reino, pequenino Portador de um dom, de um projeto, de um templo Um sinal de esperança, talento, um brilho, Que mesmo decaído, de novo, no ventre da terra Espera, e sabe-se herdeiro do Reino e, filho, ao pai torna.
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